Piodão, a aldeia presépio, localizada no concelho de Arganil, na serra do Açor, foi o local do nosso último retiro.



Nascido Kotobukiya da família Yotsubato, Zé adoptou este novo nome quando trocou o Japão por Portugal.

O Zé é um rapaz de gostos simples. Fica fascinado com alguns temas da vida, avassalado com outros. Com a curiosidade nos olhos, o Zé vai conhecendo este nosso cantinho, aprendendo, crescendo e ficando desiludido um dia de cada vez.

Chegou a Portugal cheio de certezas, mas a cada dia que passa vê-se obrigado a reavaliar as suas ideias e convicções.

Quando a mim, aprendi que três vezes "este fixador ainda dá para mais uma" é uma vez a mais.


Nada dito.
Nada feito.
Nada pensado.
Nada conseguido.
Nada tentado.
Nada.

 

Sobreiros "domesticados" preparados para serem descascados. Sobreiros queimados há mais de 10 anos que ainda envergam as suas cicatrizes. Castanheiros imponentes e orgulhosos da sua solidão e Eucaliptos cientes que a força vem dos números. 

Sai para registar a aldeia e acabei perdido pelos caminhos da Serra. Acompanhado por um filho da terra, numa visita guiada pelo que foi há decadas atrás. Estradas formadas a picaretas, caminhos que já não são muito trilhados e locais "ali depois da levada" onde em tempos existiram moinhos, currais, sitios porreiros para apanhar uns peixes e locais onde as buxas dançavam de noite.


 

Que contes muitos e bons.


Tem sido assim nos últimos tempos, e no caso desta tarde de Verão antecipado, literalmente.

Valem as companhias, que nos elevam o dia.



História mais antiga de sempre:
- Rapaz conhece rapariga
- Rapaz apaixona-se pela rapariga
- Ambos convencem os amigos a pintar a casa da avó da rapariga



Estou sem palavras para partilhar.






Copyright © Rui Pedro Esteves 2017 Direitos Reservados
Podiam ser aulas de culinária, mas ao invés foram dias a aprender as bases práticas dos processos de impressão em papel salgado e albumina.

Numa viagem ao século XIX em que visitamos os processos do Sr Talbot e do Sr Blanquart-Evrard, salgamos, albuminamos, sensibilizamos, fomos mestres do pincel e do secador, imprimimos e lá pelo meio rezamos um pouco para que no final uma imagem se formasse e fixasse. No entanto, sobre a orientação dos nossos formadores, todas as imagens foram um sucesso. 

Dois processos algo trabalhosos mas bastante interessantes no final. Dois processos que nos trazem mais próximos às imagens produzidas. Abraçar a perfeição na imperfeição é essencial para que se retire satisfação do produto final. Mas terminada a trabalhosa preparação, ultrapassada a eminente frustração é difícil não sentir uma enorme satisfação ao ter nas mãos algo único, orgânico e tão unicamente nosso.

Incrivelmente ninguém saiu tatuado com nitrato de prata. Agora é tentar reproduzir estes sucessos e construir sobre eles.

Obrigado Magda e Domingos, foram fantásticos.


Mais uma tarde passada em boa companhia, algures entre a Golegã e a Almeirim, com direito a passagem na Chamusca. Uns momentos de descontracção depois de visitada a Casa-Estúdio de Carlos Relvas.

Uma última tarde bucólica antes da chegada do Inverno. Imagens perdidas no caos caseiro e recuperadas por acidente. 



Nas ruas de Alfama, por entre os olhares curiosos dos turistas e as desconfianças dos locais.






Copyright © Rui Pedro Esteves 2017 Direitos Reservados
Mês e meio depois da minha cara metade me ter oferecido a novíssima TOSCA 6x9 finalmente tenho os primeiros resultados. Entre as brincadeiras com a TOSCA, as experiências com Kodak Tri-X 400 a 800 e o regresso do Kodak Xtol fiquei bastante admirado com os resultados.

A TOSCA 6x9, como o nome indica, produz imagens relativamente próximas do formato 6x9, desde que se use a mascara fornecida com a máquina. Tal como as outras versões da TOSCA, ela usa película 120 o que permite 8 fotogramas por rolo. Isto com sorte claro, porque com máquinas estenopeicas, nunca se sabe bem o que vai sair.

Lições aprendidas com este primeiro rolo são:
  1. A TOSCA 6x9 tem um ângulo de visão muito superior ao que esperava (mais sobre isto brevemente), o que a poderá tornar imprópria para a finalidade para a qual a pedinchei. Mas bastante interessante para fotografar os bairros de Lisboa.
  2. Kodak Tri-x puxado a 800 e revelado com Xtol 1+1 durante 11 minutos a 21 graus, produz um contraste bem interessante, mas quando as exposições aumentam para minutos ou horas, fica demasiado.
  3. O novo "desenho" do obturador é à prova de Rui. Não fiquei vez alguma com a lingueta da máquina na mão, o que acontece frequentemente com a TOSCA 6x6 que tenho.
  4. Arranjar um encaixe em L barato, comprar uma caixa de elásticos grossos (iguais ao que são disponibilizados com a TOSCA) e fica muito fácil encaixar a máquina no tripé em orientação de retrato. Demora um bocado a montar, e claro que quem se cruzar convosco vai pensar que são maluqinhos (principalmente se estiverem ao lado de um tipo com uma Grande Formato toda bonitinha), mas resulta lindamente e custa meia dúzia de tostões.